Oi Moniquinha,
Te escrevo com cópia para o Marcelo. Será que o cep de “lá” é ∞-ͽ ?
Chorei muito antes de conseguir te escrever. Que bela idéia você teve ! Talvez possamos todos, cada um de nós, iniciar esse diálogo com nosso Marcelinho. Sinto tanta saudade…
Mas, aproveito para dar algumas notícias. Abro um parênteses: me dei conta de que o Thor não foi um presente meu para o Marcelo. Foi um presente dele para mim, com toda a sua sabedoria e generosidade. Hoje ele é meu grande companheiro. Saio com ele todo dia de manhã cedo e caminhamos juntos pelas ruas aqui em volta de casa. Locais que o Marcelinho conhece bem, onde brincou muito. De manhã, o Thor escolhe o trajeto. Ele gosta muito de ficar em frente ao alambrado do campinho de futebol e algumas vezes fica olhando absorto para o campo. Ficamos, a bem dizer. Na pracinha, sento sempre em um daqueles bancos da praça e o Thor senta a meu lado, quietinho. As lembranças são tantas… E posso acariciá-lo e aproveito algumas vezes para mandar recados ao Marcelo. Desculpe, filho, mas ainda choro muito de saudade. Curioso é que, na pracinha, me vêm à mente imagens de nossas caminhadas em Porto Alegre, nas idas e vindas para o Moinhos de Vento. Conversávamos muito.
À tardinha, aí pelas seis e meia/sete horas da noite vou com o Thor passear na praia da Barra. Estaciono o carro em frente ao Fratelli e caminhamos pelo calçadão até mais ou menos à altura da Olegário. Aí pegamos a areia e voltamos pela praia, próximo do mar que você curtia tanto. O Thor ainda tem medo das ondinhas que avançam pela praia e sai correndo, como se a água o estivesse perseguindo. Às vezes paramos para observar os pescadores, os surfistas, os “kitesurfistas”. Nessas horas me sinto muito perto de você, filho querido. Sábia decisão a sua de me ter dado o Thor para cuidar e me fazer companhia. Tomei isso como um compromisso com você. Nessas horas, te sinto muito perto de mim. Me lembro das nossas mãos entrelaçadas, ouvindo música clássica no quarto da televisão, ou conversando durante as madrugadas quando era difícil dormir.
A praia da Barra é muito diferente da praia de Santo André. Você alguma vez se tocou com isso? Santo André, na enseada Jacumã, é como uma prainha pequena, com um mar pequeno e próximo. A Barra é um areal imenso, com um marzão imenso e uma sensação de infinito. Hoje, nesse dia especial, vou ver se sua mãe vai comigo e com Thor. Ela ainda não se acostumou totalmente com ele.
Quando vamos pela calçada, é grande o número de pessoas que pára para fazer festa no Thor e eu me sinto aquele “fanfarrão” que você carinhosamente me chamava. Curto a admiração das pessoas pelo Thor, que realmente é pelo menos duas vezes o tamanho dos outros Golden que andam pela praia. Este mês ele faz dez meses. Você lembra quando ele chegou? Ainda estava frio no Rio.
Agora, veja só o olhar pensativo do Thor olhando a praia da Barra, onde com certeza você já surfou. O que será que ele está vendo? Será que ele vê mais do que eu? Com certeza !
No calçadão, tem um quiosque administrado por uma família, que sempre reserva um coco grande para o Thor.
De longe, ele já vai me puxando para lá e quando chega ele pula no balcão. Adora água de coco. Aí, sentamos um pouco e tomamos ambos nossa água.
Não sei que tipo de “Parabéns” podemos cantar hoje.
Eu e Sônia ficamos em casa, curtindo tristeza e lembranças.
Ainda não nos conformamos. Será que isso vai acontecer algum dia ? Dá inveja a segurança da Mônica em sua fé e torcemos para que um dia cheguemos lá.
Sinto que, de algum modo, comemoramos, eu e Sônia. Paradoxo estranho esse ! Outro dia, no quiosque da água de coco a D. Maria me perguntou quantos filhos eu tenho e respondi que tenho 5 filhos, quatro homens e uma moça (escritora!, fiz questão de ressaltar…). Terei sempre cinco filhos. E isso já é uma coisa para se comemorar.
Às vezes, Marcelinho, acho que você está aproveitando para conhecer aqueles cenários lindos do Senhor dos Anéis, ou batendo papo com o Tolkien. E isso me consola um pouco. Só um pouco…
Obrigado Moniquinha por ter criado essa oportunidade (coisa de escritora…). Aproveita para mandar beijos apertados para você, para o Marcelo, para os outros três, para a Sônia, para a Marcelinha, para a Liliane, para a Mirela e para todos os amigos de nosso Magoo.
Parabéns, Marcelinho, mesmo com muita saudade apertando meu coração.
Amauri
PS. Tentei acrescentar algumas fotos ao comentário, mas não consegui. Mando em separado, para ver se você pode incluí-las.